domingo, 28 de dezembro de 2025

Carros elétricos e a Margem Equatorial: o Brasil entre o desafio e a solução

Foto: Ilustração

Nos últimos anos, os carros elétricos e híbridos têm ganhado espaço no Brasil. Em 2025, eles já representam uma fatia crescente das vendas de veículos novos. Mas uma pergunta continua ecoando entre consumidores: por que esses modelos, que prometem reduzir a poluição e ajudar o meio ambiente, ainda custam tão caro?

O principal fator está nas baterias de íon-lítio, que podem representar até 40% do valor do veículo. A produção dessas baterias exige minerais como lítio, cobalto e níquel, cuja extração e comercialização são caras e muitas vezes dependem de importação. Além disso, a tecnologia embarcada nos carros elétricos, motores sofisticados, sistemas de regeneração e softwares de gerenciamento e ainda está em fase de expansão, o que aumenta o custo final.

Outro ponto é a escala de produção. Enquanto os carros a combustão têm mais de um século de fabricação em massa, os elétricos e híbridos ainda são produzidos em menor volume. Isso significa que o preço por unidade é mais alto. No Brasil, a chegada de fábricas nacionais começa a mudar esse cenário, mas o impacto nos preços ainda é limitado.

Há também a questão da infraestrutura e impostos. Embora alguns estados ofereçam isenção ou desconto de IPVA para veículos eletrificados, a rede de recarga ainda é restrita fora dos grandes centros urbanos. Isso dificulta a popularização e mantém os custos elevados. Além disso, muitos modelos são importados, o que adiciona taxas alfandegárias ao preço final.

Apesar do valor inicial alto, os carros elétricos e híbridos podem gerar economia a longo prazo. Eles gastam menos com combustível e manutenção, já que possuem menos peças móveis e sistemas mais eficientes. Para quem roda muito na cidade, a diferença pode ser significativa. Além disso, o impacto ambiental é muito menor, ajudando a reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Reprodução/CNN

Nesse contexto, surge uma discussão estratégica:
a exploração da Margem Equatorial Brasileira (MEB). Autoridades como o presidente Lula e o ministro de Minas e Energia destacam que os recursos provenientes dessa exploração podem financiar a transição energética, modernizar a infraestrutura e fortalecer a industrialização nacional. A Petrobras e a Confederação Nacional da Indústria também defendem que, com segurança jurídica e ambiental, a MEB pode ser um motor de desenvolvimento regional e nacional.

Em resumo, ajudar o meio ambiente ainda custa caro porque a transição energética exige investimentos pesados em tecnologia, infraestrutura e produção. Mas a tendência é que, com o aumento da demanda, a produção nacional e os recursos da Margem Equatorial, os preços caiam nos próximos anos. O consumidor brasileiro já começa a perceber essa mudança, e a mobilidade sustentável avança como uma realidade cada vez mais próxima.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Prefeitura, sindicato e povo expostos; empresários escondidos

Foto: Nice Ribeiro/TV Mirante

Por Jorge Antonio Carvalho*

O sistema de transporte público de São Luís vive mais uma crise, desta vez protagonizada pela empresa 1001, que deixou de cumprir acordos firmados com a Prefeitura, o SET e o Sindicato dos Trabalhadores. A greve já se arrasta por dias e mantém 162 ônibus parados, afetando diretamente milhares de usuários que dependem do serviço para trabalhar, estudar e se deslocar pela cidade. Mais uma vez, quem paga a conta é a população, enquanto os verdadeiros donos do negócio permanecem invisíveis.

É sempre o mesmo roteiro: Prefeitura exposta em coletivas e entrevistas, Sindicato dos Rodoviários à frente das mobilizações, motoristas e cobradores dando voz às suas dificuldades, e a população sofrendo nos pontos de ônibus. O SET aparece como representante patronal, mas os empresários que lucram com o sistema nunca se mostram. Quem são essas pessoas? Onde vivem? Qual sua classe social? Por que não se expõem ao debate público? Essas perguntas ecoam sem resposta.

A invisibilidade dos empresários é conveniente. Enquanto trabalhadores enfrentam atrasos salariais e a população amarga filas e atrasos, os donos das empresas se escondem atrás da sigla do sindicato patronal. São eles que recebem subsídios milionários da Prefeitura, mas nunca aparecem para explicar o destino desses recursos ou justificar a precariedade da frota. Essa ausência de transparência é um problema estrutural que mina a credibilidade do sistema e perpetua a desigualdade de responsabilidades.

O debate sobre municipalização do transporte público deve ganhar força justamente nesse contexto. Se o sistema só funciona graças ao dinheiro público, por que continuar nas mãos de empresários privados que não se mostram e não prestam contas? A gestão pública poderia trazer maior transparência e controle social, ainda que enfrente desafios de eficiência. Mas antes de qualquer mudança estrutural, a população merece uma resposta simples: 

Quem são os donos do transporte em São Luís?

A crise atual é mais do que uma paralisação de ônibus. É um retrato da falta de transparência e da desigualdade de responsabilidades. Enquanto trabalhadores e usuários se expõem, os empresários se escondem. É hora de cobrar nomes, rostos e responsabilidades. O transporte público não é apenas um negócio: é um direito de cidadania, e a população tem o direito de saber quem lucra com sua precariedade.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Da Terra Plana às Havaianas: Pneu, Chinelos, Papai Noel e o limite da burrice

Garotos Podres - YouTube

A extrema direita no Brasil virou uma sitcom sem roteirista. Cada semana, seus atores inventam uma nova temporada de maluquices. Já tivemos o episódio da Terra Plana, o spin-off da oração para pneu e agora o especial de Natal com dois enredos: o boicote às Havaianas e a denúncia contra os Garotos Podres. É como se o país fosse governado por roteiristas de “Os Trapalhões”, só que sem a graça.

No caso das Havaianas, Fernanda Torres ousou dizer que queria que as pessoas começassem 2026 “com os dois pés”. Pronto: foi o suficiente para transformar chinelo em arma ideológica. Vídeos de gente rasgando sandália, discursos inflamados e hashtags de boicote. O Brasil, pela extrema direita, conseguiu o feito histórico de transformar um acessório de praia em símbolo da luta política. Enquanto o mundo discute inteligência artificial, aqui a briga é com borracha colorida.

Já no caso dos Garotos Podres, a polícia paulista resolveu ressuscitar uma música de 1985, “Papai Noel Velho Batuta”, como se fosse ameaça à fé nacional. Quarenta anos depois, alguém decidiu que chamar o Bom Velhinho de “porco capitalista” é ofensa religiosa. É como se o Estado tivesse descoberto o punk só agora, e achado que era perigoso demais para a sociedade. O próximo passo deve ser abrir inquérito contra o Chaves por “incitação à pobreza”.

E o mais irônico é que, enquanto o governo e políticos sérios não medem esforços para enfrentar os problemas reais, desemprego, violência, custo de vida e a necessidade urgente de melhorar a educação, a extrema direita prefere brincar de tribunal cultural. Em vez de ajudar a construir soluções, escolhem o limite da burrice: lacrar contra quem não pensa como eles. Pensar o quê? Asneira. É como se o país tivesse dois mundos paralelos: um tentando resolver a vida das pessoas, e outro transformando chinelo e Papai Noel em caso de polícia.

No fim das contas, a extrema direita no Brasil virou uma caricatura: um grupo que prefere transformar chinelo e música punk em caso de polícia enquanto a vida real exige soluções sérias. É como se estivessem presos num circo paralelo, com palhaços que não fazem rir e mágicos que só desaparecem com o bom senso. O público assiste incrédulo e se pergunta: até quando essa turma vai viver no limite da burrice, em vez de ajudar a enfrentar os problemas de verdade?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Do púlpito ao saco preto: a moral seletiva de Sóstenes Cavalcante


Imagem: Ilustrativa da internet

Por Jorge Antonio Carvalho*

A Polícia Federal encontrou cerca de R$ 430 mil em espécie no flat funcional do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da oposição e apadrinhado do pastor Silas Malafaia. O montante estava escondido em um saco preto dentro de um armário, durante a Operação Galho Fraco, que investiga desvio de recursos da cota parlamentar por meio de contratos fictícios com locadoras de veículos.

É curioso como o deputado, conhecido por atacar o governo Lula e posar de guardião da moralidade, agora precisa explicar por que guardava tanto dinheiro em casa. A justificativa oficial? Segundo ele, seria fruto da venda de um imóvel, e o depósito não foi feito “por lapso”, afinal, quem nunca esqueceu de levar quase meio milhão ao banco?

Enquanto brada contra “corruptos” e defende golpistas, Sóstenes é pego com uma cena digna de novela: dinheiro vivo, saco preto, armário fechado. O contraste entre o discurso moralista e a prática é tão gritante que parece piada pronta. O deputado que debocha da esquerda agora precisa explicar como se tornou protagonista de uma operação policial.

A Operação Galho Fraco é um desdobramento da “Rent a Car”, que já investigava assessores parlamentares. Agora, o foco recai diretamente sobre os deputados, e Sóstenes aparece como figura central. O caso expõe não apenas um suposto esquema de desvio de verbas públicas, mas também a fragilidade da narrativa de quem se coloca como paladino da ética.

No mercado da política, Sóstenes Cavalcante vendia moralismo a granel. Mas quando a PF abriu o armário, encontrou apenas dinheiro vivo e contradição. Para quem gosta de ironia, é como se o pregador da honestidade tivesse sido flagrado com a mão na sacola, literalmente.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Congresso da Impunidade: blindagem aos golpistas e bloqueio às pautas sociais

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A maioria do Congresso Nacional tem demonstrado uma capacidade notável de articulação quando o assunto é proteger figuras ligadas ao golpismo e à extrema direita. A redução de penas e a suavização de responsabilidades de Jair Bolsonaro e seus aliados mostram como a máquina política se move com rapidez e eficiência quando o objetivo é blindar quem atentou contra a democracia.

A subordinação estrutural da política e da economia

Segundo análises críticas, o Brasil vive uma “subordinação estrutural” marcada pela financeirização e pela dependência externa. Essa lógica não apenas enfraquece a soberania nacional, mas também molda a atuação do Congresso, que se mostra mais preocupado em preservar privilégios e interesses de elites econômicas do que em aprovar medidas que beneficiem a maioria.

A resistência às pautas sociais

Enquanto a impunidade avança com vigor, projetos que poderiam melhorar a vida da população enfrentam enormes barreiras. A proposta de redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, aprovada na CCJ do Senado, é um exemplo: apesar de representar um avanço para milhões de trabalhadores, encontra forte resistência de setores empresariais e parlamentares, que travam sua tramitação.

Para que pautas sociais avancem, é quase sempre necessário recorrer à barganha com emendas parlamentares. Essa prática transforma direitos fundamentais em moeda de troca, subordinando o interesse coletivo às negociações de bastidores. O resultado é um sistema político que privilegia acordos de conveniência e posterga reformas estruturais.

Mesmo quando pautas estruturais como a reforma tributária ou sociais como o fim da jornada 6x1 avançam na CCJ, o caminho até a aprovação definitiva é marcado por resistência, lobby e negociações intermináveis, em contraste com a agilidade demonstrada pelo Congresso na blindagem de golpistas.

Democracia enfraquecida

O contraste é evidente: quando se trata de proteger golpistas, a mobilização é imediata e eficaz; quando o tema é saúde, educação, trabalho e bem-estar social, o caminho é tortuoso e dependente de barganhas. O Congresso brasileiro reafirma, assim, sua função de guardião da impunidade e dos privilégios, deixando em segundo plano o compromisso com a democracia e com o povo.

Fontes:



domingo, 7 de dezembro de 2025

“Banco Master: a festa de fraudes que desmascara o discurso anticorrupção de Bolsonaro”

Foto:WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO
Durante seu governo, Jair Bolsonaro repetia que “não havia corrupção” em sua gestão. Mas o escândalo do Banco Master, liquidado pelo Banco Central após fraudes bilionárias, mostra o contrário: uma teia de empresários e políticos ligados ao bolsonarismo aparece no centro das investigações.

O epicentro

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal, acusado de comandar esquema de emissão de títulos sem lastro e operações internas fraudulentas, transformou o banco em uma verdadeira “festa de esquemas”. Hoje tá solto usando tornozeleira.

Os empresários cúmplices André Felipe de Oliveira Seixas Maia e Henrique Souza Silva Peretto foram presos temporariamente, ligados a empresas que participaram das fraudes, ambos já soltos, mas seguem sob investigação.

Políticos bolsonaristas Ciro Nogueira (PP), ex-ministro da Casa Civil, citado em articulações de lobby para favorecer o banco e Antônio Rueda (União Brasil): aliado político, também mencionado em movimentações de influência. Ambos representam a ponte entre o banco e o poder político em Brasília.

O caso Rioprevidência Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-diretor de investimentos do Rioprevidência, exonerado após liberar R$ 960 milhões em letras financeiras sem garantia para o Banco Master. Sua saída foi recomendada pelo Ministério Público para proteger o patrimônio previdenciário.

Ex-ministros de Bolsonaro Ronaldo Vieira Bento, ex-ministro da Cidadania. Após deixar o governo, assumiu cargos em empresas ligadas ao grupo Master. A CGU identificou irregularidades de R$ 8 milhões em descontos indevidos no Auxílio Brasil, programa que Bento comandava. Já é alvo de pedido de convocação na CPMI do INSS.

A contradição

O escândalo expõe uma incoerência brutal do discurso do ex-presidente sempre afirmando que não havia corruptos em seu governo, mas na realidade, ex-ministros, aliados e empresários ligados ao bolsonarismo aparecem no centro de um esquema bilionário.

O Banco Master não era apenas uma instituição financeira, era um palco de operações fraudulentas, sustentado por uma rede política e empresarial que orbitava o bolsonarismo.

Impacto

Esse caso mostra como a narrativa anticorrupção não resiste à realidade. A presença de ex-ministros e aliados diretos de Bolsonaro em um esquema bilionário reforça a necessidade de investigação profunda e responsabilização.

Mais do que um escândalo financeiro, o Banco Master revela como política e sistema bancário se entrelaçam em fraudes que drenam recursos públicos e fragilizam a confiança da população.


sábado, 6 de dezembro de 2025

“Corolário Trump: América Latina entre a exclusão e a intervenção”


Anunciado pelo governo americano, o chamado “Corolário Trump” reacende velhos fantasmas de intervenção na região.

O anúncio oficial

Em dezembro de 2025, o governo dos Estados Unidos apresentou uma nova Estratégia de Segurança Nacional, evocando a antiga Doutrina Monroe. A medida, apelidada de “Corolário Trump”, foi interpretada como uma tentativa de reafirmar a hegemonia norte-americana no hemisfério ocidental, ampliando presença militar e econômica na América Latina (O Globo).

Políticas contra imigrantes latinos

  • Ao mesmo tempo em que busca controlar a região, o governo Trump mantém políticas duras contra imigrantes latinos:
  • Fim do DACA, retirando direitos de jovens que cresceram nos EUA.
  • Construção do muro na fronteira com o México, símbolo de exclusão.
  • Promessa de deportações em massa, ignorando histórias de vida e contribuições sociais.
Essas medidas reforçam uma narrativa xenófoba, tratando latinos como ameaça, não como cidadãos.

Linha do tempo: Doutrina Monroe até o Corolário Trump:


Mostra os marcos históricos de 1823, 1904, 2018 e 2025, com ícones representando cada fase da Doutrina Monroe à nova estratégia de segurança anunciada por Trump.

Intervenção militar na América Latina

O “Corolário Trump” prevê:

  • Reforço da Marinha e Guarda Costeira para controlar rotas marítimas.
  • Uso de força letal contra cartéis e grupos armados.
  • Ampliação de bases militares em pontos estratégicos.
  • Expulsão de empresas estrangeiras para favorecer corporações americanas.
  • Parcerias seletivas com governos locais, muitas vezes em troca de submissão política.
Essa postura revive práticas imperialistas, tratando a América Latina como “zona de influência” e não como parceira soberana.

A contradição

O paradoxo é evidente: os EUA não aceitam os latinos como cidadãos em seu território, mas querem comandar os territórios onde vivemos. Essa incoerência revela uma visão colonialista, que reduz nossa região a peça de tabuleiro geopolítico, ignorando nossa autonomia e diversidade.

Defesa da América Latina

Como latino, é fundamental afirmar: não somos quintal de ninguém. A América Latina tem direito a decidir seu próprio destino, sem tutela externa. Nossa riqueza cultural, nossos recursos naturais e nossa força social não podem ser subordinados a interesses de Washington.

O “Corolário Trump” deve ser denunciado como ataque à soberania e à dignidade latino-americana. Cabe a nós reafirmar que somos povos com história, identidade e futuro próprios e que não aceitaremos ser tratados como subordinados em nossa própria casa.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

“Literatura, cidade e futebol: Humberto de Campos e o Sampaio Corrêa”

Foto: Blog Roteirando Slz

Por Jorge Antonio Carvalho*

O Sampaio Corrêa parte em viagem para Humberto de Campos, e não é apenas o ônibus que corta estradas e poeiras: é a própria história que se desloca, carregando consigo o peso de derrotas recentes, a sombra de gestões sem credibilidade, e a esperança tênue de que, ao chegar à cidade que leva o nome de um dos maiores escritores maranhenses, possa encontrar no espírito modernista de Humberto de Campos um espelho, uma advertência, talvez até um sopro de renovação.

Mas Humberto de Campos não é apenas o nome de um poeta. É também uma cidade costeira, de mar aberto e dunas que se movem com o vento, localizada a pouco mais de 150 quilômetros de São Luís. Com cerca de 26 mil habitantes, o município guarda uma paisagem de mangues, praias e rios que se confundem com a memória de seus moradores. Ali, o cotidiano é marcado pela pesca, pela simplicidade das feiras e pelo ritmo lento das marés, um contraste com a urgência do futebol, que exige resultados imediatos e vitórias rápidas.

Humberto de Campos

Em A Mulher Dormida, Humberto desenhou a imagem da estagnação, do corpo imóvel diante da vida que passa. O clube, atolado em gestões que não despertam confiança, lembra essa mulher adormecida, incapaz de abrir os olhos para o novo dia. Mas Humberto também escreveu O Amor Volta, lembrando que a paixão, mesmo ferida, pode renascer; que o vínculo, mesmo esgarçado, pode ser reconstruído. É nesse ponto que repousa a esperança da Bolívia Querida: acordar do torpor, reinventar-se, devolver à torcida o orgulho que se perdeu nas madrugadas de derrotas e nas tardes de apatia.

O futebol, como a literatura, é mais do que espetáculo: é expressão da cultura popular, é voz coletiva, é memória viva. Humberto de Campos, a cidade, com suas praias e mangues, lembra que o Maranhão é feito de resistência e beleza. Humberto de Campos, o escritor, lembra que é preciso romper barreiras para dar voz ao povo. O Sampaio precisa fazer o mesmo: abandonar a apatia, abrir-se ao povo, recuperar sua identidade. Só assim deixará de ser figurante e voltará a protagonizar sua própria narrativa.

Foto: Redes Sociais

Viajar para Humberto de Campos é, portanto, mais do que  uma pré-temporada: é um chamado à memória, um convite à reinvenção. Que o clube, ao pisar naquela terra, se lembre do escritor que ousou desafiar o tempo e que, como ele, encontre coragem para virar a página. Porque, no fundo, o futebol é também literatura: cada jogo é um capítulo, cada gol é uma metáfora, cada derrota é uma vírgula que prepara o renascimento da frase seguinte.

*Crônica literária jornalística de Jorge Antonio Carvalho, oficial do blogue.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

O Ouro do Cerrado: lançamento de obra inédita sobre a soja no Maranhão


Nesta sexta-feira, 28 de novembro de 2025, às 18h, na Livraria AMEI do São Luís Shopping, será lançado o livro “O Ouro do Cerrado – Origem e o Desenvolvimento da soja no Maranhão”, de autoria do Professor Doutor Roberto César Costa Cunha.

A obra é resultado de anos de pesquisa e mergulha na trajetória da soja no estado, desde os primeiros passos de ocupação até a consolidação da cadeia produtiva. O autor reúne dados inéditos, relatos de agricultores, caminhoneiros, técnicos e empresários que vivenciaram a transformação do Cerrado maranhense em um dos polos estratégicos do agronegócio nacional.

A relevância da obra

História inédita: pela primeira vez, a trajetória da soja no Maranhão é narrada de forma completa, do surgimento às frentes de expansão.

Impacto socioambiental: o livro discute as dinâmicas do Cerrado, ressaltando sua importância para comunidades locais e para a sustentabilidade futura.

Agronegócio em foco: a soja é hoje uma das principais forças econômicas do estado, com forte impacto na balança comercial e na geração de empregos.

Segundo o pesquisador, compreender essa história é essencial para pensar o futuro do desenvolvimento regional. O Maranhão, que já figura no mapa nacional da produção de soja, precisa equilibrar crescimento econômico com preservação ambiental, tema que será debatido durante o lançamento, em conversa aberta com o público.

Convite ao público

O lançamento de “O Ouro do Cerrado – Origem e o Desenvolvimento da soja no Maranhão” é aberto ao público e representa uma oportunidade única de conhecer de perto o trabalho do Professor Doutor Roberto César Costa Cunha. Mais do que prestigiar uma obra inédita, os presentes poderão dialogar com um dos principais pesquisadores sobre o agronegócio maranhense, refletindo sobre os desafios e perspectivas do setor.

📍 Livraria AMEI – São Luís Shopping
📅 28 de novembro de 2025, às 18h

Não perca a chance de participar desse encontro que une ciência, história e futuro do Maranhão.

 

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Transporte Público: São Luís precisa romper com esse modelo falido

Foto: Redes Sociais

Greves, subsídios milionários e silêncio sobre licitação mostram que o sistema atual não funciona. A hora é de discutir seriamente a municipalização.

O problema não é novo

Há mais de uma década denunciamos aqui no Conversa de Feira que o transporte público de São Luís estava em colapso. Empresários pressionavam por aumentos de tarifa, recebiam subsídios e isenções, mas entregavam ônibus sucateados e serviços precários.

Hoje, em 2025, a situação não apenas continua, ela se agravou. Greves sucessivas, atrasos salariais e paralisações prolongadas escancaram um sistema que não consegue se sustentar sem dinheiro público.

Subsídios sem transparência

A Prefeitura transfere mensalmente milhões em subsídios para manter o sistema funcionando. Os empresários alegam que só conseguem pagar salários e manter a frota rodando com esse repasse.

Mas a pergunta que não quer calar: se o sistema só existe graças ao dinheiro público, por que continuar entregando sua gestão a empresas privadas?

O silêncio da gestão

Enquanto a população sofre nos pontos de ônibus, a Prefeitura se cala sobre a licitação das linhas. A Câmara convoca audiências públicas, mas não apresenta soluções concretas.

O resultado é um círculo vicioso: crise → greve → subsídio → silêncio → nova crise.

Municipalização: solução ou utopia?

O arquiteto e urbanista Ronei Costa Martins Silva defende que a saída é clara: municipalizar o transporte público.

Se o sistema já depende de recursos públicos, por que não assumir de vez sua gestão como empresa municipal? Assim, o dinheiro do erário seria aplicado diretamente na melhoria do serviço, em vez de sustentar lucros privados.

É claro que há riscos: corrupção, aparelhamento político, má gestão. Mas esses problemas também existem na iniciativa privada. A diferença é que, com uma empresa pública, a sociedade teria mais instrumentos de controle e transparência.

O que está em jogo

Não estamos falando apenas de ônibus. Estamos falando de direito à cidade.

Sem transporte público eficiente, trabalhadores não chegam ao emprego, estudantes não chegam à escola, pacientes não chegam ao hospital.

A crise do transporte é uma crise de cidadania.

São Luís precisa decidir: Continuar alimentando um modelo privado falido, dependente de subsídios milionários.

Ou dar um passo ousado e discutir seriamente a municipalização do transporte público

Perguntas para estimular o debate

Se o transporte público de São Luís já depende de subsídios milionários, faz sentido continuar nas mãos de empresários privados?

A municipalização seria uma solução real ou apenas mais uma promessa difícil de cumprir?

Você acredita que uma empresa pública conseguiria administrar melhor o sistema ou cairíamos nos mesmos problemas de corrupção e má gestão?

Quem deve ter prioridade: o lucro dos empresários ou o direito da população a um transporte digno?

O que seria mais transparente: repassar milhões mensalmente a empresas privadas ou investir diretamente em uma frota pública administrada pela Prefeitura?

Como garantir que, em caso de municipalização, o sistema não vire cabide de empregos políticos?

O transporte alternativo (vans, moto táxis) deve ser integrado ao sistema oficial ou continuar funcionando de forma paralela?

O debate está aberto. E talvez seja hora de a população exigir que o dinheiro público deixe de ser repasse automático para empresários e passe a ser investimento direto em um sistema que funcione para quem mais precisa dele: o povo.

Fontes:


quinta-feira, 20 de novembro de 2025

20 de novembro: Consciência Negra é Resistência, Memória e Voz


No Dia da Consciência Negra, o Brasil se reconecta com suas raízes africanas, honra seus ancestrais e reafirma o compromisso com a luta contra o racismo estrutural. A data, que marca o assassinato de Zumbi dos Palmares em 1695, é mais que uma homenagem: é um chamado à ação.

Territórios de Vida e Dignidade

Quilombos não são apenas heranças do passado são espaços vivos de resistência e cidadania. No Quilombo do Camorim, por exemplo, Adilson Almeida luta para preservar a memória e garantir direitos básicos como saúde e moradia. Segundo ele, “ser quilombola é manter o legado. É entender de onde você veio e saber para onde quer ir”.

Apesar dos avanços, apenas 15% dos territórios quilombolas são oficialmente reconhecidos, e muitos enfrentam ameaças de grileiros e negligência estatal.

A Batalha Contra o Silenciamento

A obrigatoriedade do ensino da história afro-brasileira nas escolas, garantida pelas Leis 10.639/03 e 11.645/08, ainda encontra resistência. Casos como o de alunos evangélicos que se recusaram a estudar cultura africana em Manaus, ou a demissão do professor Ivan Poli por abordar valores civilizatórios africanos, revelam o racismo institucional e o fundamentalismo religioso que ainda permeiam a educação brasileira.

Poli, autor de Pedagogia dos Orixás, afirma: “Negar os valores civilizatórios africanos é negar a própria humanidade que nos constitui como nação”.

Inclusão e Reparação

A política de cotas raciais tem sido um divisor de águas na democratização do acesso ao ensino superior. Até 2011, mais de 110 mil estudantes negros ingressaram em universidades públicas graças às cotas. No entanto, o racismo persiste, inclusive contra os cotistas mais qualificados.

Como destaca o educador Luís Fernando Olegar, “as cotas são um caminho inverso ao mal feito aos negros ao longo da história do Brasil”.

Vozes que Reivindicam Espaço

O escritor Luiz Silva (Cuti) confrontou a postura do poeta Ferreira Gullar, que negava a existência de uma literatura negro-brasileira. Cuti rebate: “No mundo da cultura só existe o que uma vontade coletiva diz que sim e consegue vencer aqueles que dizem não”.

A literatura negra é resistência simbólica, é memória viva, é afirmação identitária.

A Voz que Antecipou a Abolição

Muito antes da assinatura da Lei Áurea, uma mulher negra maranhense já denunciava os horrores da escravidão. Maria Firmina dos Reis, considerada a primeira romancista brasileira, publicou Úrsula em 1859 e, posteriormente, A Escrava, obra que escancarava a crueldade do sistema escravocrata.

Em A Escrava, Firmina escreve:

Sua obra é um marco da literatura abolicionista e feminista, e sua memória precisa ser celebrada com a mesma força que Zumbi e Dandara.

Memória Viva

Celebrar a Consciência Negra é também lembrar de figuras como:

Maria do Carmo Gerônimo, se tornou símbolo da longevidade e da memória viva da escravidão no Brasil.

Nilo Peçanha, primeiro presidente negro do Brasil;

André Rebouças, engenheiro e abolicionista;

Eduardo de Oliveira, autor do Hino à Negritude.

O 20 de Novembro é um marco de luta, memória e reivindicação. Como disse Adilson Almeida: “Se eu não tivesse consciência, eu não estaria lutando por esse espaço, para manter toda essa memória viva”.

A Consciência Negra é um compromisso com a justiça social, com a valorização da ancestralidade e com a construção de um Brasil verdadeiramente plural e antirracista.

Fontes:

1. ÓperaMundi - Diálogos do Sul – Saúde e cidadania no quilombo

2. Conversa de Feira – Alunos evangélicos recusam trabalho de cultura africana

3. Conversa de Feira – Ivan Poli: O fundamentalismo religioso

4. Conversa de Feira – Dez anos da lei de cotas raciais

5. Conversa de Feira – Cuti: A empáfia do poeta Gullar

6. Iso Sendacz – A Escrava, de Maria Firmina dos Reis

7. Iso Sendacz – Personalidades da negritude brasileira

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Sampaio Corrêa em xeque: a SAF que nunca existiu e a luta por democracia no clube

Foto: Rede Sociais

Por Jorge Antonio Carvalho*

A SAF do Sampaio Corrêa ainda não existe e a gestão atual tenta reescrever os fatos para manter o controle do clube, enquanto o Movimento Sampaio é do Povo avança com ações judiciais por transparência e democracia.

O Sampaio Corrêa vive uma crise institucional que vai muito além dos gramados. A promessa de transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), supostamente liderada por empresários ligados a Rodolfo Landim, ex-presidente do Flamengo, revelou-se uma narrativa frágil e contraditória. A verdade veio à tona: o grupo LG2, de Landim, está negociando com o Confiança de Sergipe, não com o Sampaio.

A contradição exposta

Em vídeo publicado pelo portal Imirante, o próprio Landim confirma que foi apenas procurado por representantes do Sampaio, mas não há qualquer contrato ou compromisso firmado. Isso desmonta a versão sustentada pela gestão de Sérgio Frota, que vinha usando a suposta parceria como justificativa para manter-se no poder e acalmar a torcida.

Narrativas e ataques à oposição

Diante da revelação, a diretoria passou a construir novas narrativas, tentando convencer torcedores desavisados de que nunca houve mentira, apenas “equívocos e recortes”. Ao mesmo tempo, intensificou ataques ao Movimento Sampaio é do Povo, que cobra transparência, mudança estatutária e eleições livres. O movimento já ingressou com ações judiciais pedindo intervenção no clube.

Futebol sem rumo, gestão sem projeto

Enquanto isso, o clube enfrenta dificuldades para montar elenco para o Campeonato Maranhense e a Série D de 2026. A gestão atual segue sem projeto de base, sem planejamento técnico e com contratações que não empolgam. A entrevista recente de Frota à Mirante News FM, longe de esclarecer, revelou ataques à torcida organizada e autopromoção baseada em glórias passadas.

O povo quer o Sampaio de volta

A torcida, especialmente os jovens, mulheres e organizadas, está cada vez mais distante do clube. Mas há uma reação em curso. O Movimento Sampaio é do Povo defende uma virada popular, com gestão participativa, inclusão social e reconexão com a identidade boliviana.

A SAF do Sampaio Corrêa é uma promessa sem lastro. A gestão atual tenta se manter no poder com versões contraditórias e ataques à oposição. Mas a torcida organizada e os movimentos populares estão atentos e exigem um clube transparente, democrático e verdadeiramente do povo.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog

sábado, 1 de novembro de 2025

Sampaio Corrêa e a Urgência de uma Virada Popular

Torcida do Sampaio em momento de amor com o time (Foto: Lucas Almeida)

Por Jorge Antonio Carvalho*

O futebol brasileiro sempre foi mais do que um jogo. É expressão cultural, identidade coletiva e espaço de resistência. Nasceu elitista, sim, negando acesso a negros, pobres e mulheres, mas foi transformado pelo povo. Com o tempo, os campos de várzea, as arquibancadas improvisadas e os gritos das periferias quebraram as barreiras do racismo e do machismo. Hoje, o futebol é, por natureza, um território de inclusão.

No Maranhão, essa essência pulsa forte. O Sampaio Corrêa, a Bolívia Querida, é símbolo dessa paixão. Mas vive um momento crítico. A distância entre o clube e sua torcida cresceu. A gestão atual, marcada por práticas autoritárias e falta de transparência, tem afastado os torcedores, especialmente os mais jovens, as mulheres e as torcidas organizadas.

Enquanto isso, parte da população se resigna. Torce em silêncio, espera por milagres em campo, ou transfere sua paixão para clubes do eixo sul-sudeste. Mas o Sampaio é do Maranhão. É do povo. E precisa voltar a ser tratado como tal.

O Que Está em Jogo

Não se trata apenas de resultados esportivos. O que está em jogo é o papel social do clube. O Sampaio pode e deve ser um espaço de lazer, cultura, pertencimento e orgulho maranhense. Mas para isso, é preciso romper com a lógica de exclusão e autoritarismo.

A democratização do clube é urgente. Isso significa: 

Gestão transparente e participativa.
Inclusão ativa de mulheres, jovens e torcidas organizadas.
Projetos sociais que conectem o clube às comunidades.
Ações culturais que resgatem a identidade boliviana.

Futebol é Cultura Popular E o Sampaio Precisa Representar Isso

O futebol não é racista. Não é machista. Não é elitista. Ele foi apropriado por essas estruturas, mas sempre resistiu. E hoje, mais do que nunca, precisa ser defendido como espaço de inclusão.

O Sampaio Corrêa tem história, tem torcida, tem alma. Mas precisa de uma virada de chave. Precisa se reconectar com o povo que o fez grande. E essa mudança não virá de cima, virá da base, da sociedade maranhense que não aceita mais ser espectadora passiva.

A Hora é Agora

O Sampaio é do povo. E o povo precisa assumir esse protagonismo. Não como oposição, mas como construção. Não como crítica vazia, mas como proposta concreta. O futebol é nosso e o Sampaio também.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

sábado, 25 de outubro de 2025

Frota em Resenha: ataque à torcida e elogio a si mesmo

Foto: Redes Sociais

Por Jorge Antonio Carvalho*

Nesta semana, o presidente do Sampaio Corrêa, Sérgio Frota, concedeu uma longa entrevista ao programa Resenha, da Mirante News FM, com duração de quase uma hora. A intenção era esclarecer pontos sobre a transição para SAF e acalmar os ânimos da torcida. O resultado, no entanto, foi o oposto: a entrevista reacendeu críticas e expôs contradições que colocam mais em xeque a atual gestão.

Memórias seletivas e ataques pessoais

Logo nos primeiros 30 minutos, Frota se apoia em glórias passadas para justificar sua permanência no comando do clube. Entre os minutos 28:30 e 30:00, o presidente faz comentários sobre a vida pessoal de ex-jogadores, inclusive ídolos das conquistas do Sampaio com uma falta de respeito que já se tornou marca registrada. A tentativa de desqualificar figuras históricas do clube soa como estratégia para blindar sua própria imagem, ignorando o papel coletivo nas vitórias da Bolívia Querida.

Vídeo como cortina de fumaça

Durante a entrevista, a gestão atual solicitou a exibição de um vídeo antigo que mostra melhorias na estrutura do CT do clube. A intenção era clara: convencer a torcida e a imprensa de que há competência e compromisso com o futuro. Mas o conteúdo do vídeo revela apenas o mínimo de obrigação, longe de representar um projeto sólido de evolução. A tentativa de autopromoção escancarou ainda mais o distanciamento entre discurso e realidade.

Torcida organizada como alvo

O ponto mais controverso surge entre os minutos 45:30 e 47:00, quando Frota afirma que “as torcidas organizadas são o mal do futebol” por não gerarem receita. A declaração foi motivada, segundo ele, por episódios recentes envolvendo torcedores, incluindo relatos de comportamentos inadequados durante jogos, como cenas de teor sexual nas arquibancadas. Em seguida, tenta se retratar dizendo que “não são todas”, mas já havia feito uma acusação pública e virulenta contra uma das torcidas do Sampaio.

Essa visão é não apenas equivocada, mas perigosa. Torcida organizada é parte essencial da cultura de arquibancada, e sua presença é um dos motores de engajamento, identidade e até monetização do clube. Elas atraem jovens, criam atmosfera nos jogos e, em clubes democráticos, têm direito legítimo à voz, voto e até participação na gestão.

O papel da torcida na reconstrução

O Sampaio nasceu do povo e deve continuar sendo do povo. A torcida organizada não é inimiga da transparência, pelo contrário, é aliada na fiscalização, na cobrança e na construção de um clube mais justo. Em tempos de uma suposta transição para SAF, é fundamental que o torcedor não seja tratado como obstáculo, mas como protagonista.

A entrevista, longe de pacificar, escancarou o isolamento da gestão e reforçou a urgência de mudanças profundas no modelo de governança do clube. Como bem pontua o blog Conversa de Feira, “o que está em jogo não é apenas um mandato, mas o futuro de um clube centenário”.

*Jorge Antonio Carvalho - Oficial do Blog Conversa de Feira

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Retrato da política brasileira: quem tem a imagem mais forte para 2026

Foto: Ricardo Stuckert/PR

A mais recente pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada em 24 de outubro de 2025, mostra que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com ampla vantagem todos os cenários testados para as eleições presidenciais de 2026. 

Cenário de 1º turno com Lula 

Lula (PT): 51,3%
Tarcísio de Freitas (Republicanos): 30,4%
Ronaldo Caiado (União Brasil): 6%
Ratinho Jr. (PSD): 3%
Romeu Zema (Novo): 2,5%
Branco/nulo: 5%
Indecisos: 1,9%

Comparação com setembro/2025 Lula subiu de 48,2% para 51,3%.
Tarcísio manteve os mesmos 30,4%.

Recorte por gênero
 
Lula tem 56,2% entre mulheres e 45,6% entre homens.
Tarcísio aparece com 34,6% entre homens e 26,7% entre mulheres.

Cenário de 1º turno com Fernando Haddad 

Fernando Haddad (PT): 43,1%
Tarcísio de Freitas: 30,1%
Ronaldo Caiado: 7%
Ratinho Jr.: 4%
Romeu Zema: 3%
Branco/nulo: 8%
Indecisos: 4,8%

Simulação com Jair Bolsonaro (inelegível) 

Lula: 48,8%
Bolsonaro: 41,3%
Branco/nulo: 6%
Indecisos: 3,9%

Avaliação do governo Lula

48% consideram o governo ótimo ou bom
47,2% avaliam como ruim ou péssimo
51,2% aprovam Lula pessoalmente, contra 48,1% de desaprovação

Imagem negativa: 

Nikolas Ferreira (PL) tem 60% de imagem negativa
Magno Malta (PL) aparece com 59% de rejeição
Damares Alves (Republicanos): 58%
Eduardo Bolsonaro (PL): 57%
Tarcísio de Freitas (Republicanos): 56% 

A pesquisa mostra que esses nomes enfrentam forte resistência, especialmente entre mulheres, jovens e eleitores do Sudeste.

Implicações eleitorais

Com as eleições de 2026 se aproximando, esses dados ajudam a entender o capital político de cada figura pública. A imagem positiva de Lula pode impulsionar o PT em diversas frentes, enquanto a rejeição de nomes da direita pode dificultar alianças e estratégias eleitorais.

A pesquisa AtlasIntel foi realizada pela internet do dia 15 a 19 de outubro, com 14.063 entrevistas. A margem de erro do levantamento é de um ponto percentual, para mais ou para menos.

Fonte: